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10 atitudes para melhorar sua RCP

Apresentamos aqui 10 atitudes que você ter para um bom andamento dos esforços de reanimação:

  1. Sobretudo em cenário onde há mais de um médico, tenha a definição clara de quem irá estar na função de líder do atendimento. Uma das coisas que mais atrapalham o andamento de uma PCR é a presença de várias lideranças confundindo a todos. Imagine a confusão se uma pessoa pede para administrar uma medicação ao mesmo tempo que outra pede para que seja priorizada via aérea?
  2. Ao assumir um plantão sempre confirme junto a enfermagem se o cardiodesfibrilador do seu ambiente de trabalho foi testado e está apto para utilização. Não deixe para ‘descobrir’ na hora um problema de funcionamento. 
  3. Defina rapidamente as funções de cada um na sua equipe e tenta adequar a situação baseada no número de profissionais que você dispõem. Em um cenário ideal deveríamos ter os seguintes profissionais: 1- Líder, 2 – Compressões torácicas, 3 – Compressões torácicas, 4 – Manejo da via aérea, 5 – Manejo do cardiodesfibrilador, 6 – Manejo das drogas endovenosas e 7 – Registrador de tempo.
  4. Se o paciente está ventilando bem com a bolsa valva-máscara reservatório, não preocupe-se (ao menos nos primeiros momentos 2 ciclos) em garantir uma via aérea avançada (a não ser que a hipóxia seja a causa suspeita, onde a obtenção da via aérea avançada deverá ser priorizada).
  5. Durante a PCR, os dispositivos supra-glóticos (DSG) (máscara laríngea e tubo laríngeo) tem a mesma evidência do infra-glótico (tubo oro-traqueal), com a vantagem de sua passagem é mais rápida e tem menor probabilidade de interromper por muito tempo as manobras de RCP. Sendo assim, se você não tem muita experiência com a realização da intubação orotraqueal, os DSG são ótimas opções e podem lhe poupar um tempo precioso. Caso opto pela IOT, a execute preferencialmente sem a interrupção das compressõres ou com o menor tempo possível de suspensão (idealmente menos de 10 segundos).
  6. Se o paciente está com uma via aérea avançada, a relação passa a ser 1 ventilação a cada 6 segundos. Cuide para que isso seja alcançado. É muito comum observarmos que, na ânsia de ‘ajudar mais o paciente’, o responsável pelo manejo da via aérea acabe provocando hiperventilação! Peça para que a pessoa conte corretamente os segundos e evite mais que 10 ventilações por minuto!
  7. Lembre-se: o momento de realizar administração de medicação ou garantir a via aérea do doente deve ser no momento logo após a checagem de ritmo (nos casos de PCR por AESP ou Assistolia) ou após a administração do choque (nos casos de PCR por FV – TV). Isso porque após esses ‘momentos’ o profissional terá 2 minutos para executar essas tarefas. Do contrário, a realização de determinada tarefa nos segundos finais de um ciclo poderá resultar na situação onde são passados os 2 minutos, o ritmo é checado, esse ritmo é de FV – TV, mas a equipe não pode administrar o choque pois o profissional da via aérea ainda está executando a obtenção da mesma. Sendo assim, retarda-se a desfibrilação e, portanto, diminui-se as chances desse doente evoluir com RCE.
  8. Oriente que já se deixem as drogas preparadas de maneira prática. Por exemplo, já peça para aspirar 5 ampolas de adrenalina em uma mesma seringa de 5 ml, diminuindo a perda de tempo para preparação de drogas e possibilitando que essa pessoa possa se dedicar a outras tarefas (p.ex. revezar nas manobras de compressão), sobretudo em ambiente de carência de profissionais. 
  9. Garanta que você e toda equipe estejam cientes dos algoritmos seguidos e questione ativamente se alguém tem algo a acrescentar na conduta vigente.
  10. Após o fim das manobras de RCP converse com a sua equipe e veja o que poderia ter sido feito de maneira mais eficaz. A comunicação foi boa? Todos estavam cientes do algoritmo de reanimação?

Sobre o Autor

Daniel Valente

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Médico com residência médica em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e em Cardiologia Clínica pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HC-FMUSP). Instrutor ativo do curso de ACLS pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (sede SP) e pesquisador colaborador junto ao grupo MASS.

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