Artigos comentados Cardiologia Geral

Valvopatia: 8 atualizações do uptodate do AHA/ACC de 2017

  1. Profilaxia de Endocardite Infeciosa:
    1. Deve ser avaliada a profilaxia de EI para pacientes com TAVI e também com material prostético utilizado para reparo valvar, incluindo anuloplastia ou mesmo cordoalhas artificiais
  2.  Anticoagulação na Fibrilação Atrial:
    1. Varfarina (inibidor da vitamina K) ainda é preferida para portadores de estenose mitral
    2. Pacientes com CHA2DS2-VASc ≥ 2 para patologias de valva aórtica, tricúspide ou regurgitação mitral. Para esse mesmo grupo de pacientes (NOTE-SE que não se incluem portadores de estenose mitral!), pode ser utilizado os anticoagulantes orais diretos (rivaroxabana, apixabana, dabigatrana,etc)
  3. Estenose Aórtica:
    1. A indicação de troca valvar aórtica pela técnica transvalvar (TAVI) em pacientes de ALTO RISCO CIRÚRGICO + sintomáticos (estágio D), após avaliação multidisciplinar (cardiologista clínico, cardiologista intervencionista, cirurgião cardíaco, anestesista, intensivista, etc) passou para classe I, ganhando força.
    2. Em pacientes de RISCO CIRÚRGICO INTERMEDIÁRIO + sintomas (estágio D), a troca por TAVI, após discussão multidisciplinar ficou em nível IIa de evidência
  4. Regurgitação/Insuficiência Mitral primária:
    1. Para pacientes VERDADEIRAMENTE ASSINTOMÁTICOS (excluem-se aqueles que ‘não tem sintomas porque se limitam fisicamente’) que tenham a fração de ejeção (FE) ≥ 60% e diâmetro sistólico final (DSF) < 40 mm (estágio C1) a intervenção valvar cirúrgica pode ser indicada caso esteja havendo queda de FE ou aumento de DSF baseado em exames seriados (classe IIa).
  5. Escolha de prótese – biológica ou mecânica:
    1. A idade de ‘equivalência’ entre as próteses para escolha passou dos 60-70 a para 50-70a, o que ressalta uma melhor qualidade da manufatura das próteses biológicas.
  6. Endocardite de prótese e eventos neurológicos:
    1. Se o paciente tiver indicação de troca valvar e sofre um AVC a cirurgia deve ser considerada sem demora, desde que não seja AVCi extenso ou AVCh.
    2. Se o paciente estiver hemodinamicamente estável, esperar por ≥ 4 semanas para operação em pacientes com AVCi extenso o AVCh.
  7.  Anticoagulação em paciente com prótese:
    1. Se bioprótese aórtica ou mitral e paciente de baixo risco de sangramento, deve-se fazer Varfarina por 6 meses (classe IIa).
    2. Após TAVI, também em paciente de baixo risco de sangramento, também pode-se ponderar Varfarina com INR 2,5 pelo mesmo período (classe IIa).
  8. Insuficiência Aórtica em Bioprótese
    1. Terapia transvalvar valve-in-valve é uma opção a ser considerada para pacientes sintomáticos com regurgitação de bioprótese aórtica quando considerados de alto risco cirúrgico pela equipe multidisciplinar.
Leitura sugerida:
2017 AHA/ACC Focused Update of the 2014 AHA/ACC Guideline for the Management of Patients With Valvular Heart Disease. Acesse aqui
David S. Bach, MD, FACC. Uptodate AHA/ACC Focused uptodate 2014. Março/2017.Acesse aqui

Sobre o Autor

Daniel Valente

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Médico com residência médica em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e em Cardiologia Clínica pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HC-FMUSP). Instrutor ativo do curso de ACLS pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (sede SP) e pesquisador colaborador junto ao grupo MASS.

Deixe um comentário