Pronto-Socorro Terapia Intensiva Cardiológica

Troponina: 10 conceitos básicos a serem lembrados no PS

  1. Ao avaliar o exame de troponina no PS você deve encaixar em qual situação a mesma foi solicitada: a) suspeita de síndrome coronariana aguda (SCA) é a primeira hipótese b) SCA não era a primeira hipótese  ( condição médica que pode impactar o coração (p.e. IC descompensada) ou análise retrospectiva revelando que o pedido de troponina foi inadequado)
  2. A troponina aumenta em uma série de situações comuns ao paciente vista na emergência: infarto, uso de cocaína, embolia pulmonar, miocardite, queimadura, hipertireoidismo, sepse, estados de choque, vasculites, (..)
  3. Qualquer elevação de troponina é pior do que nenhuma elevação e quanto maior o valor pior. Sendo assim, para uma mesma situação clínica, o doente que aumentou a troponina tem pior prognóstico.
  4. Busque saber em seu serviço qual o Kit de troponina é utilizado e busque as informações de interpretação de valores junto ao fabricante.
  5. Se há elevação de troponina, há dano miocárdico, mas não obrigatoriamente secundário a oclusão coronária.
  6. O dano miocárdico pode ser agudo ou não. Por isso, pode-se observar valores aumentados de troponina mesmo em cenários ambulatoriais.
  7. Se há elevação de troponina, identifique se ela ocorre em um cenário de dano miocárdico agudo ou crônico.
  8. Quando o dano é agudo, via de regra, haverá um incremento dos valores da troponina quando ocorrer uma nova medida em 1 a 3 horas. Esse é o racional de se utilizar a porcentagem de variação da troponina em cenários de suspeita de síndrome coronária aguda
  9. Se o dano é agudo busque diferenciar se é secundário a obstrução coronária ou não
  10. Se o dano é crônico, tente buscar a causa.

Confira abaixo um algoritmo que pode lhe ajudar na interpretação dos valores de troponina no Pronto-Socorro.

troponina

Retirado de: http://www.annemergmed.com/article/S0196-0644(16)30203-7/pdf

Leitura sugerida:
Hollander, JE. Managing Troponin Testing. Ann Emerg Med. 2016;68:690-694. Disponível aqui.

Sobre o Autor

Daniel Valente

Graduado em Medicina pela Universidade Federal do Ceará. Médico com residência médica em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e em Cardiologia Clínica pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HC-FMUSP). Instrutor ativo do curso de ACLS pela Sociedade Brasileira de Cardiologia (sede SP) e pesquisador colaborador junto ao grupo MASS.

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