Desafio de ECG

Desafio de ECG 13 – Qual diagnóstico eletrocardiográfico?

Fonte: arquivo pessoal do autor.

O que se pode ver nesse ECG ? Há alguma alteração patológica de nota ou apenas um achado habitual ?
——————————————————————————————————————————————–

Desafio de ECG – Caso 12 – Comentário – Veja o ECG clicando aqui

No primeiro ECG temos um ritmo sinusal com ondas T apiculadas. No DII longo notamos período de bigeminismo.
No segundo ECG, observe que surge um supra-desnivelamento do segmento ST associado a uma QRS alargado, não precedido por onda P, que ocorre justamente no meio do ciclo dos intervalos RR sinusais.
Esse achado pode gerar alguma polêmica, sobretudo pela possibilidade da ocorrência de BRD intermitente ( sobretudo associado a SCA em com acometimento de artéria descendente anterior proximal). Contudo, a ausência de onda P precedente o ritmo e o padrão de ‘R’ puro em V1 afastam essa possibilidade.
Mas então o que justificaria o achado ?
Trata-se da presença de extra-sistoles ventriculares de padrão originadas do Ventrículo Esquerdo ( ‘tem um padrão de BRD’), provavelmente da região septal de padrão interpolado, ou seja, ela ocorre entre os QRS sinusais, mas não apresenta a tradicional pausa compensatória pós extra-sístole. Esse padrão de extra-sístole – também chamada de ‘extra-sístole em sanduíche’-  sugere que a origem do batimento ectópico seja ventricular, mesmo nos casos em que eventualmente não ocorra alargamento do QRS.
Veja que as EEVV não impedem a visualização do supra-desnivelamento do segmento ST em toda parede anterioe e também em região de parede lateral (D1 e aVL), falando muito a favor de acometimento de artéria descendente anterior em sua porção proximal, antes mesmo da emissão do ramo septal.
Setas pretas indicam a presença da onda P precedente o QRS sinusal. As setas vermelhas apontam o QRS ‘normal’ do paciente com a presença do supra-desnivelamento do segmento ST. As setas verdes indicam a presença do QRS ‘aberrante’ da extra-sístole ventricular interpolada. Fonte do ECG: arquivo pessoal do autor
Paciente foi imediatamente encaminhado a sala de hemodinâmica onde se fez cateterismo evidenciando lesão de artéria descendente anterior proximal, que foi tratada através de angioplastia + colocação de stent.

Sobre o Autor

Daniel Valente

Médico com residência médica em Clínica Médica pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo e em Cardiologia Clínica pelo Instituto do Coração do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (InCor-HC-FMUSP). Especialista em Ecocardiografia pelo InCor-HC-FMUSP e pelo Departamento de Imagem Cardiovascular da Sociedade Brasileira de Cardiologia (DIC-SBC). Doutor em Cardiologia pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (FMUSP). Coordenador do Serviço de Ecocardiografia da ONE Laudos.

Deixe um comentário